Na habitação, não chega uma medida. É preciso uma estratégia

O acesso à habitação tornou-se um dos maiores desafios para quem vive em Portugal, sobretudo para quem está a tentar comprar a primeira casa.

11.09.2026 Na habitação, não chega uma medida

Medidas como a garantia pública no Crédito Habitação Jovem ou a isenção de IMT e Imposto do Selo não resolvem o problema da habitação. Mas isso não significa que não sejam importantes.

Para muitos jovens, foram precisamente estas medidas que permitiram ultrapassar uma barreira que até aí era quase intransponível: ter capital suficiente para dar o primeiro passo.

Retirá-las agora (um cenário que parece cada vez mais real) sem que as condições do mercado tenham mudado, dificilmente resolve o problema. Pelo contrário, poderá voltar a afastar da compra de casa uma parte da população que conseguiu finalmente ter acesso a financiamento.

Mas há também um risco que não pode ser ignorado: medidas que aumentam a capacidade de compra, quando aplicadas isoladamente num mercado com pouca oferta, podem contribuir para aumentar ainda mais a pressão sobre os preços.

Por isso, o verdadeiro desafio está noutro ponto: as medidas imediatas têm de existir em simultâneo com reformas estruturais.

Precisamos de construir mais, acelerar licenciamentos, reduzir burocracia, tornar os processos mais previsíveis, incentivar a reabilitação e a mobilização de imóveis disponíveis e aumentar de forma consistente a oferta pública de habitação.

Tudo isto exige tempo e é por isso que não podemos escolher entre medidas para hoje e soluções para amanhã: precisamos das duas!

Apoiar quem precisa de comprar agora, enquanto se criam condições para que, no futuro, existam mais casas e a preços mais acessíveis.

O problema não está em criar respostas imediatas. Está em continuar a acreditar que medidas avulsas conseguem resolver, sozinhas, um problema que levou anos a criar.
 

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